Um dia perfeito para se perder no caminho

“Márcio,

Li uma resposta sua a uma pergunta sobre o que torna uma mulher realmente bela. E, nossa, foi tudo em que eu sempre acreditei na minha vida toda (38 anos). Mas como não se perder em meio a críticas avassaladoras sobre corpo, rosto e etc., e como passar isso para minha filha? Você falou no texto em trabalhar a autoestima, como posso fazer isso comigo e minha filha? Sempre acreditei muito no que foi falado no texto, mas vivo me perdendo no meio do caminho, não quero mais isso e não quero passar adiante com minha filha? Pode me ajudar?”
– Carla Antonetti, funcionária pública, Niterói, Rio de Janeiro.

Carla,

Você diz que vive se perdendo no caminho, mas nem sempre se perder é ruim, viu? Na realidade, talvez o que você mais esteja carecendo fazer é parar de ouvir tanto o que os outros acham e se perder um pouco. Ah, e que norte você busca? Será que toda busca tem que ter um norte? Olha, no fundo, mais importante do que procurar uma bússola para não se perder é responder para você mesma: o que será que mais costuma fazer com que você acredite numa crítica avassaladora sobre o seu corpo, o seu rosto, a sua forma de se vestir, o seu modo de pensar, o seu jeito de agir? Para onde você mais tem olhado nos últimos anos, nos últimos dias, nas últimas horas, Carla? Será que você tem olhado mais para os outros, para o que eles acham, para o que eles pensam, para o que eles fazem, para o que eles deixam de fazer, ou tem olhado para você, antes de tudo, sem deixar de olhar para os outros?

Bem, como sempre gosto de lembrar, os etíopes dizem que nós somos quatro pessoas: quem os outros acham que nós somos, quem nós achamos que os outros acham que nós somos, quem nós pensamos que somos, e quem nós somos realmente. Assim, você só poderá trabalhar a autoestima da sua filha, se antes trabalhar a sua própria. Mas também não vai adiantar nada fazer isso, se tentar trabalhar a sua autoestima só para dar um bom exemplo à sua filha. Você precisa reparar na sua própria beleza e na sua própria essência. Repare no que você deseja de verdade e no que faz você realmente feliz, sem se comparar com mais ninguém. Afinal, felicidade não se compara nem se mede pelo tamanho do sorriso, da cintura, ou da quantidade de olhares que alguém recebe por dia. Então, que tal começar a trabalhar a sua autoestima para amansar o  coração? Ou será que você precisa amansar o seu coração para trabalhar a autoestima? Em vez de buscar uma resposta, comece com um primeiro passo. E que passo pode ser esse? Ah, você vai saber. Ele está aí, bem agora, na sua frente, dizendo no seu ouvido: “Prazer, eu sou o seu passo, Carla”. Quem sabe hoje é um dia perfeito para você se perder no caminho? Invente um mantra enquanto toma um Chicabon. Perca-se do excesso de culpas e cobranças, e faça uma surpresa para você mesma no final da tarde, numa promoção íntima por tempo ilimitado: troque quatro pensamentos insistentes por um desejo adiado. 

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