O que torna uma mulher realmente bela?

“Márcio,
A maior parte das mulheres não consegue seguir o padrão de beleza ditado pela mídia. Então, o que uma mulher pode fazer para encontrar o encantamento nela mesma?”
– Paula Cajaty, advogada e poeta, Rio de Janeiro, RJ.

Paula,

Não é a mídia que dita padrões de beleza, de sucesso, de felicidade. Na realidade, ela mostra o que já faz parte do pensamento, do olhar, do desejo e do inconsciente da maioria das pessoas. É claro que a mídia tem um imenso poder de reforçar e disseminar estereótipos, modelos e padrões. Mas quem dita esses padrões, de fato, são as pessoas em geral. Um dia, numa palestra, depois de me ouvir falar sobre esse tema, uma estudante de jornalismo me perguntou: “Mas você não acha que a mídia tem a função de quebrar estereótipos e fazer as pessoas pensarem?”. E eu respondi para ela que sim, claro. Muitas pessoas que trabalham na mídia (escrevendo, dirigindo, produzindo, atuando) de alguma forma já ajudaram e ainda ajudam a quebrar um bocado de estereótipos de beleza, de sucesso, de felicidade. Mas essas pessoas não fazem isso porque estão na mídia, não. Elas fazem isso por disponibilidade, reparo, sensibilidade, ousadia e, acima de tudo, por não abrirem mão de pensar com impressão digital.

Mas essa função de quebrar estereótipos não é só de quem trabalha na mídia. Quebrar estereótipos, por exemplo, também é função da professora, que na sala de aula foge do óbvio e escolhe uma menina gordinha, para fazer o papel da princesa na peça da escola, sem deixar de trabalhar profundamente a auto-estima dessa garota, para contagiar com esse olhar e esse sentimento as pessoas em volta e fazer com que elas aprendam a reparar a beleza onde quase ninguém repara. Desse modo, essas pessoas se sentirão cada vez mais livres para fazer as suas próprias escolhas afetivas e amorosas, se importando menos com a opinião dos outros.

Da mesma forma, quebrar estereótipos é função de um cirurgião plástico que se recusa a diminuir o nariz de uma mulher só porque inventaram para ela que aquele nariz é feio, grande demais, desproporcional; e é capaz de mostrar para ela que nenhum nariz do mundo seria mais belo, mais forte e mais charmoso naquele rosto. Porque a beleza nem sempre é proporcional, a beleza não tem medida certa. Nada é mais incerto do que a beleza. Não existe o belo sem identidade. É claro que há mulheres quase que indiscutivelmente belíssimas. Mas grande parte dessas belezas superlativas desgasta em pouco tempo por causa da mesmice. A mesmice é uma das mais profundas tiradoras de beleza que existem por aí. Uns olhos de parar a gente, uma boca de beijo pronto, um corpo de puxar vontade, uma voz para baixar no ipod, tudo isso ajuda bem, não dá para negar. Mas o que torna uma mulher realmente bela, charmosa e interessante, é a autenticidade dela; a personalidade, o humor, a postura, o estilo, a leveza. Então, Paula, para encontrar o encantamento nela mesma, o que uma mulher mais precisa fazer é começar a reparar nas coisas e nas pessoas aparentemente mais simples, de preferência com olho de susto e descoberta. É assim que ela também vai passar a reparar nela mesma, de uma forma inédita, reveladora, irresistível.

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