O que dá encanto no seu dia?

“Oi Márcio querido,

Como outras diversas pessoas, assisti à tua palestra no bar Ocidente, aqui em Porto Alegre, li fascinada todos os seus livros, e até hoje converso com amigas sobre o que tornou tão memorável aquela noite. Vamos lá, falarei por mim: no meu caso, o que me faz lembrar sempre daquele encontro, até hoje, é a magia indescritível que senti quando ouvi tuas palavras, histórias e reflexões mega encantadoras. Neste sentido, te digo sem exagero algum que penso sempre em tudo o que dissestes, e também quero que saibas que passei a dar aulas com o coração muito mais aberto para a fantasia. Isso certamente me transformou como professora, pessoa e mulher, logicamente. Como vês, tua fala mexeu comigo… Espero que não demores a voltar a Porto Alegre. Agora, segue minha questão: para ti, o que torna um dia encantador?”

– Daniella Pietro, produtora de eventos e professora de tango, Porto Alegre, RS.

Olá Daniella,
Depois de saber que você dá aula de tango, comecei agora a ouvir Por una cabeza, e me lembrei do filme Perfume de mulher, em que o Al Pacino, interpretando um cego, dança com uma moça de vestido preto e costas mostradas, quase tão bonita quanto a cena, flutuando pela ideia da gente.
Para mim, o que torna um dia encantador é a forma como recebemos as surpresas de cada momento. Receber uma mensagem cheia de emoção, que nem a tua, e ter logo ideia de escutar essa música, por exemplo, deu encanto no meu dia. Fico bem contente de saber que aquele evento foi importante para você e outras pessoas. Para mim também foi muito, claro. Espero que você seja cada vez mais feliz nas suas transformações e que continue a vida toda irradiando outras boas mudanças para as pessoas à sua volta.
Mas, de volta para a sua pergunta, afinal, o que deixa o meu dia encantador? Tem uma lista de coisas que me vêm à cabeça: ver a chuva relando no vento como se ninguém estivesse reparando na indecência da cena; flagrar o riso do meu filho desembestando por causa de alguma idiotice que eu acabei de dizer para ele; desligar o computador e correr para um beijo no meio da tarde; trocar lugar de reunião só para ver uma beleza no caminho; transformar leões em gatos de armazém; ligar para um irmão sem precisar de assunto; olhar por trás uma bailarina que leva a sua bicicleta no calçadão, já de coque tirado, balançando o seu rabo-de-cavalo de um lado para o outro, como se fosse um pêndulo amansando o te mpo; descobrir que mais alguém no universo não sabe ver direito as horas em relógio com ponteiro; ouvir cachoeira em chafariz; achar a frase que faltava para terminar uma história; descobrir que algumas histórias continuam, mesmo depois do ponto final, cheias de frases desdobradas, no pensamento de outras pessoas; encontrar poesia em placa de trânsito; interromper essa lista de coisas encantadoras só para comer uma melancia que não para de me olhar; ter vontade de recomeçar outra lista, só de pensar em quem tão fácil me faz tão bem.
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