Nem todo distanciamento é ruim

“Márcio,
A partir de uma certa idade, o bebê cresce, se torna criança, e deixa de lado as gracinhas para uma atitude de questionamento e contestação da autoridade dos pais. Nesse momento, quando muitos apelidam seus filhos de ‘aborrecentes’, porque se encontram antes do ingresso no período da adolescência, é comum os pais se sentirem confrontados e repelirem esse confronto, com a atitude despótica de ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. Essa postura é a grande geradora do conflito intergeracional. Como fazer para achar lucidez e doçura nesse momento de grande tensão familiar, de forma a minimizar frustrações, brigas, decepções e, acima de tudo, impedir o distanciamento dos pais com aqueles que são destinatários do seu maior amor?”
– Luana de Paula Ribeiro, fisioterapeuta, Guarapari, ES.

Luana,

A gente não tem que tentar achar lucidez e doçura só nos momentos de tensão. Delicadeza não é só para amansar vento bravo.  Mais do que saídas para resolver problemas, pensar e agir com delicadeza são escolhas de vida.

Então, a lucidez e a doçura precisam fazer parte do seu dia a dia, no instante em que você acorda e tem vontade de fazer uma pequena surpresa para um filho, para uma amiga, para o namorado; no instante em que você segura a porta do elevador para alguém e diz para essa pessoa que ela não precisa correr para chegar logo; no instante em que você não se segura para amar. Deixar para achar lucidez, doçura e delicadeza só no meio dos momentos tensos, enfim, buscar encantamento só nas horas de emergência, não adianta, não. O encantamento precisa fazer parte da rotina da gente.

Ah, e bom mesmo é quando a gente não tenta minimizar frustrações, brigas, decepções. Minimizar sentimentos ruins não faz com que eles deixem de existir. Suavizá-los é preciso, minimizá-los, não. E nem todo distanciamento é ruim. Tem distanciamento que é essencial para a gente se conhecer mais de perto, construir a própria identidade, achar a própria voz.

É claro que os conflitos são inevitáveis, e até necessários. Só quem não tem conflitos é manequim de vitrine. E muita gente ainda acha que crianças e adolescentes são manequins de vitrine, sem vontades, sem personalidade, sem identidade nenhuma. Como se eles fossem só uns bonecos moldados para vestir os nossos anseios, as nossas expectativas, os nossos sentimentos, as nossas emoções. Crianças e adolescentes carecem de limites? Claro, claro. Mas quem não carece, Luana, quem não carece?

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