Entrevista mirim

Nossa repórter mirim, Maria, 8 anos, aluna da primeira série do colégio Espaço Educação, elaborou as perguntas que seguem para o escritor Márcio Vassallo. Autor dos livros “O príncipe sem sonhos”, “A princesa Tiana e o Sapo Gazé”, entre outros, Márcio está lançando agora “O menino da chuva no cabelo”, pela editora Global.

De onde você tira as idéias para as suas histórias?
Márcio – Ah, depois que eu vejo uma cena, escuto uma frase, ou descasco os silêncios de uma conversa, muitas vezes me dá vontade de fantasiar tudo isso. Tem vezes também que eu nem sei mais o que é fantasia e o que é realidade na minha vida, de tanta mistura na minha idéia. Mas é justamente dessa mistura que eu vivo.

Por que você quis ser escritor?
Márcio – Acho que eu quis escritor para chegar mais perto das pessoas. Outro dia, num avião, voltando de um encontro com professores, um autor me disse assim: “Sabe, Márcio, o que eu mais gosto é de conhecer pessoas, pra escrever mais histórias”. E eu disse pra ele: “Rapaz, o que eu mais gosto é de escrever histórias, pra conhecer mais pessoas”. Pra mim o livro é um meio de chegar às pessoas. Se um escritor pensa mais nos livros do que nas pessoas, eu acho que não vai escrever boas histórias. Bem, pelo menos é isso o que eu acho.

De onde tirou as personagens e seus nomes?
Márcio – Se você reparar, até hoje, os meus livros começam pelo nome dos personagens… Tiana estava cansada daquela história, Thiago era um príncipe sem sonhos, Beatriz era uma fada madrinha que trabalhava demais, Arthur tinha uma bola grudada no pé. Enquanto eu não acho o nome de um personagem, a minha história não anda. Então, primeiro eu preciso achar um nome que faça o personagem nascer de verdade. Eu até posso ter alguma idéia antes, mas as minhas histórias só nascem depois que eu batizo os personagens.

De onde você é?
Márcio – Nasci no Rio de Janeiro, em Copacabana, onde eu moro.

Você gosta de piadas?
Márcio – Eu gosto muito de falar bestagem, gosto muito de rir, mas as pessoas são mais engraçadas do que as piadas. Acho que eu gosto mais das pessoas do que das piadas. Se uma pessoa é encantadora, tudo tem graça.

Quantas histórias você já escreveu?
Márcio – Tenho publicadas quatro histórias: A princesa Tiana e o Sapo Gazé (lançada pela Brinque-Book), O príncipe sem Sonhos, que saiu pela mesma editora; A Fada Afilhada, publicada pela Salamandra; e O menino da chuva no cabelo, que acabou de sair pela Global. Ah, também escrevi a história do Mario Quintana, poeta do meu coração. Essa biografia foi lançada agora pela editora Moderna, na coleção Mestres da Literatura.

Qual a história que você está escrevendo agora?
Márcio – No ano que vem vou lançar a história de uma princesa diferente. As princesas geralmente esperam por alguma coisa… Então, dessa vez, espere por ela.

Você já colocou seus pais numa história?
Márcio – Os meus pais aparecem na história do menino da chuva no cabelo. Meus pais também não me deixavam pensar no tempo, só quando chovia. Os meus irmãos, Eduardo e Gustavo, também aparecem nessa história. Dedico o livro a eles, por todos os gols que fizeram a gente se abraçar, por todos os abraços que nunca precisaram de gols.

Quando você era criança, você pensou em ser escritor?
Márcio – Não, o que eu queria mesmo era ser jogador de futebol, para jogar por toda a vida com a camisa oito do Fluminense e fazer um monte de gols, de preferência com o Maracanã lotado. No tempo em que eu tinha essa vontade, os meninos sonhavam em jogar pra sempre no time do coração. Hoje os garotos continuam sonhando em ser jogadores de futebol, mas querem mesmo é um dia ir para a Espanha ou para a Itália. O time do coração e até a Seleção Brasileira, na maioria das vezes, se transformaram só numa passagem para a Europa.

Quando você era criança, você jogava futebol?
Márcio – Maria, na realidade, quando era moleque, de vez em quando eu parava de jogar futebol. A maior parte do tempo eu passava jogando. Mesmo quando estava dormindo, eu dormia de joelheira e com uma bola encostada no pé.

Quais as histórias que você lia quando era criança?
Márcio – Li muito Os Meninos da Rua Paulo, O Gênio do crime, A ilha perdida… Na quinta série, estudei no Guido de Fontgalland, em Copacabana. Foi lá que tive uma professora chamada Magnólia. Nenhuma professora me despertou tanto a paixão pelos livros.Também adorava ouvir as histórias que meus pais e minhas avós me contavam. Gostava das histórias que eles liam ou inventavam para mim, e gostava ainda mais de sentir que eles estavam perto de mim, me dando o tempo deles de uma forma tão mágica, tão deliciosa, tão sem pressa, tão inesquecível.

Do que você mais gosta?
Márcio – Ah, eu gosto de passar muito tempo com os amigos e a família, de entrevistar e conhecer pessoas encantadoras, de conversar com o meu filho numa rua que a gente chama de rua do silêncio, e de andar à tarde na Visconde de Pirajá, em Ipanema.

E do que você não gosta?
Márcio – De gente que não é amorosa com as crianças, e que mesmo assim resolve trabalhar com elas.

Você tem algum desejo para o ano que vem?
Márcio – Deixa eu ver… Bem, eu quero muito comprar uma bicicleta, tomar mais Chicabon, estudar propostas para voltar a jogar futebol, e fazer um trabalho bem bonito com o meu novo livro, com a minha nova princesa, que vai sair pela editora Global. Esse livro é um xodó meu, Maria. Eu acho que vai ser o livro mais importante da minha vida, mas isso não importa muito… Se a história dessa princesa for o livro mais importante da vida de alguma pessoa, nem que seja por meia hora, eu já vou ficar muito feliz. O LIVRO ERA A VALENTINA, TÁ?

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